Coitados dos trabalhadores dos aeroportos. Depois de aguentar vários meses de caos aéreo e muitos xingamentos dos passageiros inconformados (e com razão) parece que revolta ainda não passou totalmente.
Semana passada, sala de embarque, minutos antes de entrar no avião, o grupo ouve no auto-falante que o vôo foi cancelado. Motivo: problemas no aeroporto de Congonhas. Começa a reclamação geral. ''Ê, não acredito. Palhaçada''. O passageiro plugado avisa a todos: ''Estou olhando agora o site dos aeroportos e está tudo normal''. ''É mesmo? Isso é truque da companhia aérea!''
Opções: aguardar o próximo vôo para o mesmo aeroporto ou entrar imediatamente em outro avião com um destino próximo. Eis que recomeça o falatório e a revolta. ''Se a companhia aérea não consegue vender todas as passagens, ela que tire o vôo da grade de uma vez. Ficar fazendo essa palhaçada com os clientes não tem justificativa!''. Responde o atendente no balcão: ''Senhor, não é mentira, realmente há um problema em Congonhas e não podemos fazer nada''.
''Mas o rapaz ali viu que tá tudo limpo. Vocês são muito caras-de-pau de mentir desse jeito''. E, visivelmente chateado, o funcionário abaixa a cabeça e guarda mais um xingamento - que não merecia - para a coleção. Enquanto todos no saguão se sentem vingados com a derrota do inimigo.
Se todos tivessem esperado apenas 5 minuntos descobririam que um avião derrapou na pista e fechou o aeroporto de Congonhas. E clientes teriam evitado uma ofensa desmerecida que, com ajuda de terapia, um dia será esquecida por aquele trabalhador. E essa foi mais uma demonstração da arte de falar mais do que a boca.publicado no jornal "Folha de Londrina" em 11 de setembro de 2008
Publicado em 11 de setembro de 2008 às 09:37 por mazimendes