Bonita

Não sei se é porque ultimamente eu me sinto muito mais feliz do que nos últimos anos, por causa das várias coisas boas que estão acontecendo na minha vida, mas tenho achado Curitiba mais bonita estes últimos dias.

Depois de conhecer algumas das cidades mais lindas do mundo, comecei a questionar a beleza da minha cidade adotada. Andava reparando mais nas pichações e prédios abandonados do que nas árvores e praças. Pode ser que é porque agora tenho andado de ônibus e, quando consigo tirar os olhos do livro, me pego observando a paisagem urbana curitibana. Ou também porque agora posso "passear" pela cidade no meio do dia e conhecer lugares que nunca tinha visitado antes.

Ou pode ser este inverno gelado. Que querendo ou não deixa a minha cidade mais melancólica, elegante e até aconchegante. Curitiba combina com o cinza e, por mais que gostemos mais do sol, o nublado reflete o melhor de suas ruas. Pe. Germano Mayer, ruas do Batel, ruas do Social... todas muito bonitas, arborizadas e vazias. As praças à noite, ilumidadas e escondendo seus perigos, são bonitas. A fumaça que sai dos bueiros nas manhãs pós geada... parece de filme. E a geada em si! Um presente (maldito?) para quem acorda nas geladas 6, 7 ou até 8 horas da manhã.

Parei para pensar sobre turismo na minha própria cidade. Por que fazemos tanta questão de admirar monumentos e fotografar cada prédio histórico das cidades onde habitamos um hotel, mas nunca (nunca mesmo) fiz isto na minha própria terra. Provavelmente continue sem fazer. Faz mais de um ano que penso em ir passear no Parque Tanguá just because (quer melhor expressão emprestada), mas a preguiça é maior e nada feito.

Já que a minha próxima grande e maravilhosa viagem deve demorar por vir, vou viajando na minha Curitiba. Cidade de tantos defeitos, de tantos problemas, de tantas maldições, mas que nos últimos dias reaprendi a admirar. Olhando através das coisas feias. Me concentrando apenas nas belas. Exige esforço, mas acho que tenho conseguido.

null


 

Alô! Tem alguém me ouvindo?


Dias desses eu ouvi uma moça brigando com o namorado pelo celular em frente ao meu trabalho. Ela gritava algo como: ''Eu vi você de agarramento com a talzinha! Eu preferia que você fizesse pelas minhas costas do que me deixasse ver. Você nunca me viu agarrada com o fulano...''. No dia seguinte ouvi um senhor aos berros com algum funcionário, também pelo celular, dizendo que aquilo não era jeito de falar com ele e que eles iriam ''se ver'' depois.

Comecei a reparar que as pessoas não fazem muita questão de esconder seus assuntos via telefone celular dos demais, especialmente no ônibus. É um tal de combinar baladas, avisar pai, mãe, chefe, esposa e marido que vão se atrasar, fofocar da ''não sei quem'' que está de casinho com o ''não sei quem outro'', etc. Será que a vida pessoal destas pessoas realmente é ''da conta'' de todo mundo?

Estes dias li que na China é comum (por causa da falta do senso de privacidade) pessoas escutarem a conversa dos outros na cara dura. Dei risada. Agora percebo que no Brasil é o contrário. São as pessoas que acabam expondo (de propósito?) suas conversas para os estranhos que estão ao redor. Ok, sou jornalista e, por profissão, curiosa. Mas, nem por isso estou interessada em saber cada detalhe da vida alheia, especialmente de pessoas desconhecidas que, por um acaso, estão no mesmo espaço físico que eu.

Se a ligação está ruim, se os ânimos estão exaltados, se existe uma necessidade de repassar a informação, tudo bem, é compreensível. Mas ainda assim acho que quase nada é tão urgente que não possa esperar o interlocutor chegar a um lugar mais reservado. É bom senso, gente!


Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha

Publicado no jornal Folha de Londrina em 18 de junho de 2006


 

Imitando mr. Briguet

Cidade fantasma e gelada

Curitiba, cidade de 1,8 milhões de habitantes, às vezes parece mesmo uma província. Dia desses, logo que iniciaram os dias frios do inverno, eu estava voltando para casa do trabalho. Devia ser pouco depois das 20 horas e, no trajeto do ponto de ônibus até a minha casa (uns 400 metros), não vi passar nenhuma alma viva (nem morta, graças a Deus!).

E pensar que, há alguns meses, neste horário, ainda estaria dia claro, começando a anoitecer. Mas naquele momento nem um carro, nem um latido de cachorro, nem uma luz de janela acesa. Tudo bem que meu bairro não é dos mais populosos e muito menos agitados, mas parecia que eram 4 horas da madrugada.

Dias depois, estranhei uma nova cena. Sábado de noitinha, por volta das 21 horas e minha rua com apenas um carro estacionado. Domingo, três horas da tarde – nenhum carro! Onde foram parar as pessoas deste lugar? Em dias ‘‘normais’’, sempre vejo vizinhos entrando e saindo de suas casas, recebendo visitas, mas ultimamente tem momentos em que me sinto morando na Sibéria.

Refletindo, cheguei a conclusão que o fator temperatura influencia muito. Curitibano não se acostuma com o frio. Nossas casas, comércios, restaurantes, consultórios médicos, academias, ônibus, etc, não são adaptados para as baixas temperaturas. Não temos nenhum costume ‘‘europeu’’ de programas típicos de inverno (com exceção das Noites de Sopas e Vinhos por aí). Tudo o que fazemos no friozinho gostoso é reclamar dele e ficar embaixo das cobertas vendo filme e tomando quentão de vinho. Não está na hora de algum ‘‘marketeiro’’ por aí mudar este abandono sazonal e pensar num jeito de aproveitarmos melhor esta estação – que tem durado uns bons quatro meses? Que tal?


crônica publicada no jornal Folha de Londrina em 10/06/2008


 

quanto tempo....

Só para constar:

- Voltar a andar de ônibus está sendo: BOM.

- Ler livros no ônibus: BOM (mesmo quando dá um poquinho de enjôo)

- Ler final de livro triste que me faz chorar muito no ônibus: NADA BOM

Lição do dia - deixar as últimas páginas de livros com tendências dramáticas para ler em casa...

Leia mais »



 
Google

Arquivos