Infelizmente (sem querer ser hipócrita) gosto de produtos culturais americanos – e ingleses e irlandeses e franceses e italianos e até japoneses. Gosto de algumas coisas da sociedade americana, como a ambição por trabalho e ganhar dinheiro (queria entender o fato de todo mundo, com um mínimo de educação e formação, ganhar o suficiente para viver bem, quando não com luxo).
Mas eu não gosto da sociedade americana. Da hipocrisia moralista de se acharem os detentores do código de ética mundial e se chamarem a polícia do mundo, mas que só atua para defender a população das “periferias” onde existe petróleo. Não gosto de suas regras sociais extremamente rígidas em que losers sofrem bullying dos populars e garotas devem perder a virgindade aos 16 anos (sweet sixteen) porque aos 15 são whores e aos 17 estão velhas demais. Detesto a falta de problemas reais com que se preocuparem que geram crises existenciais imbecis do tipo “você me faz feliz, mas eu preciso me fazer feliz em primeiro lugar”. Odeio quando dizem que os brasileiros são o povo mais “caliente”, mas tem músicas como “I’ll take you to the candy shop, I’ll let you lick the lollypop”, “programas” como o “Girls with low self-steem” e mostram a sua verdadeira cara em realities como The Bachelor e Temptation Island.
Mas eu gostaria que o Brasil fosse um pouco mais parecido com os Eua. Queria que nosso governo se preocupasse um pouquinho só com a sua população. Atuasse em nosso benefício de vez em quando. Defendesse os nossos interesses só para variar um pouco. Queria poder ter a certeza que me formar em uma boa Universidade (na medida do possível), depois de muito estudo, me garantiria um bom emprego e um futuro tranqüilo. Queria seguir algumas regras sociais e ter a certeza de que certas coisas devem acontecer em um determinado período da vida.
Essa minha visão é meio confusa, eu sei. Gosto de televisão americana, produtos americanos, música americana, filmes americanos. Mas não gosto de americanos. Em compensação não sou muito chegada em música brasileira (há exceções, principalmente das antigas), televisão brasileira para mim se resume em telejornais e o Pânico na TV, filmes brasileiros... só os pops. Mas gosto dos meus brasileiros (meus porque acho que gosto dos brasileiros que conheço, e que gosto...). Tem muito brasileiro que eu não gosto também.

Ps - acho que a minha fase de preguiça literária passou. Li um livro em um dia. Ok que ele só tem 85 páginas, mas devorei. "Cartas à mãe - direto do inferno" é um PUTA livro!
Mazi, bom te ler de novo. Adorei o texto. Não consumir produtos dos EUA é algo bem difícil hoje em dia, mas eu evito sempre, muito embora consuma. Digamos que eu seja muito mais (muito mais mesmo) Policarpo Quaresma que você, mas concordo com seus argumentos. Beijo!
com parcas alterações, é o que confusamente também acredito mazi.
É verdade, Mazi. O mercado de fraudes deles beira o absurdo. Mas, ainda assim, penso que é \"para o bem\", ao contrário do que acontece aqui, onde o bandido é sempre privilegiado e tem certeza da impunidade. Absurdo também e, por isso mesmo, prefiro o absurdo deles.
11.04.08 06:58 - silvia -
Não sei porque, mas imaginei que você iria gostar, Briguet.
11.04.08 05:59 - mazimendes
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E o que dizer so sistema judiciário deles? Acho que de tudo que citou, o mais interessante e o que melhor se aplicaria ao Brasil seria isso. Sim, porque consertando a parte criminal, o resto vem como consequencia. Ótimo post, Mazi.
bem verdade, Silvia. Acho que também por ser uma sociedade mais homogênea, acaba não tendo tanta diferenciação entre rico e pobre na hora do julgamento. Se bem que também acho um absurdo certos aspectos do judiciário deles - esta história de ganhar o processo contra o McDonald\'s por ter contraído doença cardíaca em decorrência da gordura é rídicula. Não que eu goste ou queira defender o McDonald\'s, mas que passou do limite passou.
11.04.08 06:19 - mazimendes
Sei lá. Acho que gostei desse post, Mazimendes.
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