Mas o Brasil não merecia ser amado. O território onde está o Brasil merecia. As pessoas que nasceram aqui e foram ficando meio por falta de opção mereciam. O que cresce nesta terra merecia. Mas não o país.
O Brasil é do mal. É um país que não se importa com os seus filhos. É um país que suga o que pode dos seus filhos e não devolve o mínimo necessário. É um país que vê seus filhos sofrerem, morrerem, irem embora de revolta, mas não muda uma vírgula de sua própria história.
Se o Brasil fosse um pai ou uma mãe, já teria sido abandonado pelos descendentes. Estes teriam se mudado para a casa de uma tia ou mesmo a rua pareceria mais agradável.
O pai Brasil e os irmãos brasileirinhos têm como suas preferidas as pessoas erradas. Como na parábola do filho pródigo, o pai gosta mesmo é do filho fanfarrão. Do filho que se dá bem. Do filho que não quer, e na verdade nem precisa, trabalhar. Nos dois extremos: aquele que nada tem, mas sabe que vai ganhar do pai; ou aquele que tem de tudo, que nunca vai acabar e que sempre consegue mais.
O filho que se esforça - que faz a sua parte e entrega o que pode (e não pode) para o pai ajudar os irmãos -, esse só toma na cabeça. Ele não pode desfrutar o rendimento do seu trabalho. Se o seu salário permite uma vida melhor, ele se esconde de medo de tirarem o que é dele (e ele sabe que o pai nem se mexe para tentar devolver ao filho que perdeu). Ele paga do bolso pelas coisas que seu pai deveria dar – não por obrigação moral de pai, mas porque ele paga por isso também. Ele ouve o tempo inteiro as malvadezas que seus irmãos fazem, e descobre logo em seguida que o pai não dá nem uma palmada. Mas o dia em que ele sair da linha, ele sabe que o castigo virá a cavalo.
Não estou falando de governo. Não estou querendo dizer que sou uma coitadinha vítima e sem culpa de nada – tenho muita culpa sim. Não estou dizendo que lá fora é tudo de bom – eu sei que não é tudo, mas em alguns lugares chega bem perto. Apenas estou revoltada com a declaração do meu “Imposto sobre salário”. Imposto sobre salário porque eu não tenho renda. Tenho o salário que recebo pelas minhas horas trabalhadas. E se alguém me perguntasse, eu diria que esta não é forma como gostaria de gastá-lo. Nem de longe...
Amigos típicos: vocês consideram isto que eu escrvei (claro, com algumas adaptações) uma crônica?
12.03.08 07:12 - mazimendes
é, acho que entra sim. se bem que eu spu péssimo pra essas classificações e diferenciações.
12.03.08 07:19 - groucho
Bem-vinda ao clube, Mazimendes. Pode se preparar: cronistas costumam levar bordoadas. Mas compensa.
12.03.08 07:22 - briguet - da catchiguria
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hahahahahhaha, eu vou declarar essa semana. pelo menos da última vez veio uma boa restituição. e eu até entendo tua revolta, mas não sei se essa cultura \'lei de gérson\' é só nossa. com variações, eu acho que ela globalizou, hehhehe
Mazimendes, já leu \"Raízes do Brasil\"? Explica muito disso tudo aí. Um abraço.
12.03.08 05:30 - briguet
É verdade que temos uma parcela de culpa nessa situação. E só nos revoltamos pra valer quando dói no nosso bolso. Infelizmente, é assim.
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