Não me procurem

Não me procurem, amigos. Não me liguem, por favor. Muito provavelmente eu também não vá ligar para nenhum de vocês. Não é que eu não goste de vocês. Não é que eu não queira falar com vocês. Nem que eu não possa.

A verdade é que eu não tenho telefone. O meu, eu dei. Sob livre e espontânea pressão. Foi um sujeito meio antipático que me pediu no meio da rua. Ele pediu um dinheiro também. E eu acabei dando. Agora não tenho mais telefone.

Além de não ter mais meu telefone, perdi uma outra coisinha também. Acho que estou com falta de dignidade. Perdi um pouco de sal. E água. Combinados.

Só que não posso reclamar muito. Ganhei outra coisa. Ok, não é uma coisa legal. Mas não devemos reclamar do que recebemos de presente. Não é educado. Meu presente é muito simples. Ganhei o medo de qualquer pessoa inadvertida que apareça muito perto de mim.

Junto com o meu telefone, foi também uma pequena parte da minha vida. Pequena, é verdade, mas que faz falta. Meu telefone não era dos melhores. Dos mais modernos. Dos mais caros. Mas ele tinha algumas lembranças que eu agora já não tenho mais. Lembranças que não significam nada para quem agora o tem.

A pessoa para quem eu dei dinheiro e telefone também ganhou de outras pessoas naquela noite, e em outras noites. Ela deve ter ido para a casa, não tão tranquila, mas com a sensação de missão cumprida. Eu também fui para casa, e fiquei sentindo saudades de um telefone. Agora, amigos, não consigo falar com vocês. Não me liguem. Eu não vou atender. E eu também não ligarei para vocês. Nem sei mais como.

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ah não




minha esperança tava alta depois de Sex and the City, the movie...

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Bonita

Não sei se é porque ultimamente eu me sinto muito mais feliz do que nos últimos anos, por causa das várias coisas boas que estão acontecendo na minha vida, mas tenho achado Curitiba mais bonita estes últimos dias.

Depois de conhecer algumas das cidades mais lindas do mundo, comecei a questionar a beleza da minha cidade adotada. Andava reparando mais nas pichações e prédios abandonados do que nas árvores e praças. Pode ser que é porque agora tenho andado de ônibus e, quando consigo tirar os olhos do livro, me pego observando a paisagem urbana curitibana. Ou também porque agora posso "passear" pela cidade no meio do dia e conhecer lugares que nunca tinha visitado antes.

Ou pode ser este inverno gelado. Que querendo ou não deixa a minha cidade mais melancólica, elegante e até aconchegante. Curitiba combina com o cinza e, por mais que gostemos mais do sol, o nublado reflete o melhor de suas ruas. Pe. Germano Mayer, ruas do Batel, ruas do Social... todas muito bonitas, arborizadas e vazias. As praças à noite, ilumidadas e escondendo seus perigos, são bonitas. A fumaça que sai dos bueiros nas manhãs pós geada... parece de filme. E a geada em si! Um presente (maldito?) para quem acorda nas geladas 6, 7 ou até 8 horas da manhã.

Parei para pensar sobre turismo na minha própria cidade. Por que fazemos tanta questão de admirar monumentos e fotografar cada prédio histórico das cidades onde habitamos um hotel, mas nunca (nunca mesmo) fiz isto na minha própria terra. Provavelmente continue sem fazer. Faz mais de um ano que penso em ir passear no Parque Tanguá just because (quer melhor expressão emprestada), mas a preguiça é maior e nada feito.

Já que a minha próxima grande e maravilhosa viagem deve demorar por vir, vou viajando na minha Curitiba. Cidade de tantos defeitos, de tantos problemas, de tantas maldições, mas que nos últimos dias reaprendi a admirar. Olhando através das coisas feias. Me concentrando apenas nas belas. Exige esforço, mas acho que tenho conseguido.

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Alô! Tem alguém me ouvindo?


Dias desses eu ouvi uma moça brigando com o namorado pelo celular em frente ao meu trabalho. Ela gritava algo como: ''Eu vi você de agarramento com a talzinha! Eu preferia que você fizesse pelas minhas costas do que me deixasse ver. Você nunca me viu agarrada com o fulano...''. No dia seguinte ouvi um senhor aos berros com algum funcionário, também pelo celular, dizendo que aquilo não era jeito de falar com ele e que eles iriam ''se ver'' depois.

Comecei a reparar que as pessoas não fazem muita questão de esconder seus assuntos via telefone celular dos demais, especialmente no ônibus. É um tal de combinar baladas, avisar pai, mãe, chefe, esposa e marido que vão se atrasar, fofocar da ''não sei quem'' que está de casinho com o ''não sei quem outro'', etc. Será que a vida pessoal destas pessoas realmente é ''da conta'' de todo mundo?

Estes dias li que na China é comum (por causa da falta do senso de privacidade) pessoas escutarem a conversa dos outros na cara dura. Dei risada. Agora percebo que no Brasil é o contrário. São as pessoas que acabam expondo (de propósito?) suas conversas para os estranhos que estão ao redor. Ok, sou jornalista e, por profissão, curiosa. Mas, nem por isso estou interessada em saber cada detalhe da vida alheia, especialmente de pessoas desconhecidas que, por um acaso, estão no mesmo espaço físico que eu.

Se a ligação está ruim, se os ânimos estão exaltados, se existe uma necessidade de repassar a informação, tudo bem, é compreensível. Mas ainda assim acho que quase nada é tão urgente que não possa esperar o interlocutor chegar a um lugar mais reservado. É bom senso, gente!


Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha

Publicado no jornal Folha de Londrina em 18 de junho de 2006


 

Imitando mr. Briguet

Cidade fantasma e gelada

Curitiba, cidade de 1,8 milhões de habitantes, às vezes parece mesmo uma província. Dia desses, logo que iniciaram os dias frios do inverno, eu estava voltando para casa do trabalho. Devia ser pouco depois das 20 horas e, no trajeto do ponto de ônibus até a minha casa (uns 400 metros), não vi passar nenhuma alma viva (nem morta, graças a Deus!).

E pensar que, há alguns meses, neste horário, ainda estaria dia claro, começando a anoitecer. Mas naquele momento nem um carro, nem um latido de cachorro, nem uma luz de janela acesa. Tudo bem que meu bairro não é dos mais populosos e muito menos agitados, mas parecia que eram 4 horas da madrugada.

Dias depois, estranhei uma nova cena. Sábado de noitinha, por volta das 21 horas e minha rua com apenas um carro estacionado. Domingo, três horas da tarde – nenhum carro! Onde foram parar as pessoas deste lugar? Em dias ‘‘normais’’, sempre vejo vizinhos entrando e saindo de suas casas, recebendo visitas, mas ultimamente tem momentos em que me sinto morando na Sibéria.

Refletindo, cheguei a conclusão que o fator temperatura influencia muito. Curitibano não se acostuma com o frio. Nossas casas, comércios, restaurantes, consultórios médicos, academias, ônibus, etc, não são adaptados para as baixas temperaturas. Não temos nenhum costume ‘‘europeu’’ de programas típicos de inverno (com exceção das Noites de Sopas e Vinhos por aí). Tudo o que fazemos no friozinho gostoso é reclamar dele e ficar embaixo das cobertas vendo filme e tomando quentão de vinho. Não está na hora de algum ‘‘marketeiro’’ por aí mudar este abandono sazonal e pensar num jeito de aproveitarmos melhor esta estação – que tem durado uns bons quatro meses? Que tal?


crônica publicada no jornal Folha de Londrina em 10/06/2008


 

quanto tempo....

Só para constar:

- Voltar a andar de ônibus está sendo: BOM.

- Ler livros no ônibus: BOM (mesmo quando dá um poquinho de enjôo)

- Ler final de livro triste que me faz chorar muito no ônibus: NADA BOM

Lição do dia - deixar as últimas páginas de livros com tendências dramáticas para ler em casa...

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teste




 

e a boa?

Dias desses eu escrevi um post sobre uma notícia ruim. Sobre qual é a sensação quando a recebemos e como é contá-la para as pessoas. Mas agora descobri que uma notícia boa também tem seu lado ruim.

Para algumas pessoas, aquelas em quem você mais confia, o repasse é imediato e a reação é a melhor possível. Motivo para comemorar. Mas tem pessoas para quem a sua notícia boa será um pouco ruim, e para estes você tem que contar sua notícia boa com cara de funeral.

Mas a parte pior é não poder sair contando para todo mundo imediatamente. Na verdade, não é que não pode, mas é melhor não. E essa ansiedade de querer contar, mas não poder é péssima também. Tudo bem que é uma questão de tempo, mas às vezes o tempo custa a passar nessas horas.

Enfim, é melhor esperar este tempo passar e a notícia boa vira coisa boa, fato bom, acontecimento bom... aí nem precisa contar, as pessoas veêm!

Deste assunto: that's all for now, folks!

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Seriadinhos novos (no leia mais)

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Da série: Sobre o desejo de ser... francesa (ok, tô com falta de assunto ultimamente)


Eu não gostaria de ser uma mulher francesa em primeiro lugar porque elas são meio feias (basta ver que a primeira dama do país é italiana). Segundo que, por causa do feminismo que foi tão forte lá, hoje elas são mal amadas e os homens têm medo delas.

Mas eu queria morar em tempo na França. Ou melhor, em Paris. Simplesmente pelo glamour, charme, nostalgia, história, arte e cultura que a cidade exala (e respira). Apartamentos velhos, pequenos e feios, com escadas que rangem e cozinha para meia pessoa, em prédios antigos, chiques e lindos (por fora). Custo de vida caríssimo. Pessoas antipáticas e metrô lotado no horário de pico com aquele cheiro característico que emana do corpo não muito limpo de alguns europeus.

Queria morar em um destes apartamentos e sair todo dia de manhã para o trabalho, depois de tomar meu café da manhã de croissant au chocolat e jus d’orange. Andar pelas ruas parisienses com um casaco claro até o joelho e uma boina bege (quer maior clichê), parar em frente a uma vitrine de loja de grife e ficar sonhando com Dior, Chanel e Hermés.

Ao final da tarde sentar num Café (acho que tenho fixação por cafés) no Quartier Latin pedir um crêpe au fromage ou au chocolat (lá se vão mais uns 15 kilos para a barriga, quadris e coxa). Nos finais de semana, ir a um museu pequeno depois de conhecer de cor o Louvre, Orsai e Versailles, sentar num parque num dia de sol ou assistir a um teatro, musical ou filme no inverno e de noitinha ir a um bar na região da Sorbonne beber Stella Artois.

Aprender bem a língua française! Fazer biquinho e arranhar a garganta...

Voltando às comidas (por que será que eu me interesso tanto pelas comidas?), queijos, iogurtes, pães, crepes, sanduíches, chás... Comida rebuscada como escargot, foie gras, caviar e canard – hum, tô fora! Cadê uma cantina italiana para eu almoçar?

Passar um feriado de verão na Riviera Francesa e do inverno em Grenoble. Ir a Londres, Amsterdã ou Bruxelas num feriado prolongado. Mas, antes de tudo isso, decorar cada centímetro da capital francesa...

mon appartement... qui sais?


 

Da série: Sobre o desejo de ser... italiana

Ah, eu queria morar na Itália. Não sei se para todo o sempre, mas por um tempo. Gosto do povo italiano. Povo animado, fala alto, xinga, grita, mas é educado. Homens que desrespeitam as mulheres (as suas e as dos outros), mulheres que não deixam barato dentro de casa. E que língua mais linda!

A comida... hummm. Culinariamente falando, acho que já sou meio italiana. Em restaurantes já procuro um prato de massas, tirando que as Cantinas Italianas são a minha opção preferida, sempre, sempre. Pasta! O café da manhã italiano é muito bom. Sobremesa. Sorvete. Café. Vinho...hummm tudo é bom. Desvantagem de morar na Itália: acho que eu teria uns 100 kilos.

Queria ter roupas bem feitas (não necessariamente de marca), ter a possibilidade de comprar high fashion em liquidações ou brechós, bolsas e sapatos italianos. Produtos de alta qualidade, tecnologia, acesso.

Queria morar em Firenze (Florença). Cidade pequena, antiga, cultural, povo bonito... Me imagino fazendo um curso ligado a artes, sentada em um Bar, tomando cappuccino ou cioccolato caldo (que mais parece um danette) na Piazza della Republica discutindo a política corrupta antes de pegar meu smart (o carrinho dos meus sonhos) e ir para meu apartamento afastado do centro num edifício antigo mais bem conservado por dentro... Aos finais de semana passear pela Toscana, Marche, Emiglia Romagna e Umbria, em feriados prolongados ir ao Sud, Nord, sul da França ou Suíça e nas férias e ferragosto ir mais longe na Europa...

Queria um salário mínimo que permite ter um padrão de vida confortável. Ter acesso a serviços públicos de qualidade, segurança, saúde, benfeitorias. Consciência social coletiva. Educação para todos.

Mas a Itália não está nem perto de ser um lugar perfeito. Sei que existem muitos defeitos e que em pouco tempo eu já estaria reclamando deles. A Jana Ávila pode explicar muito melhor do que eu o modo italiano di vivere, mas eu digo que de toooodooooos os países do mundo, io vorrei abitare in Italia!

firenze...


 

Da série: sobre o desejo de ser... americana

Não. Não tenho nenhum desejo de ser americana. Nem tenho vontade de morar nos Estados Unidos – passear já é outra história. Tenho alguma vontade de morar na Itália, Chile, França, Inglaterra e talvez Argentina. Mas não nos Estados Unidos.

Infelizmente (sem querer ser hipócrita) gosto de produtos culturais americanos – e ingleses e irlandeses e franceses e italianos e até japoneses. Gosto de algumas coisas da sociedade americana, como a ambição por trabalho e ganhar dinheiro (queria entender o fato de todo mundo, com um mínimo de educação e formação, ganhar o suficiente para viver bem, quando não com luxo).

Mas eu não gosto da sociedade americana. Da hipocrisia moralista de se acharem os detentores do código de ética mundial e se chamarem a polícia do mundo, mas que só atua para defender a população das “periferias” onde existe petróleo. Não gosto de suas regras sociais extremamente rígidas em que losers sofrem bullying dos populars e garotas devem perder a virgindade aos 16 anos (sweet sixteen) porque aos 15 são whores e aos 17 estão velhas demais. Detesto a falta de problemas reais com que se preocuparem que geram crises existenciais imbecis do tipo “você me faz feliz, mas eu preciso me fazer feliz em primeiro lugar”. Odeio quando dizem que os brasileiros são o povo mais “caliente”, mas tem músicas como “I’ll take you to the candy shop, I’ll let you lick the lollypop”, “programas” como o “Girls with low self-steem” e mostram a sua verdadeira cara em realities como The Bachelor e Temptation Island.

Mas eu gostaria que o Brasil fosse um pouco mais parecido com os Eua. Queria que nosso governo se preocupasse um pouquinho só com a sua população. Atuasse em nosso benefício de vez em quando. Defendesse os nossos interesses só para variar um pouco. Queria poder ter a certeza que me formar em uma boa Universidade (na medida do possível), depois de muito estudo, me garantiria um bom emprego e um futuro tranqüilo. Queria seguir algumas regras sociais e ter a certeza de que certas coisas devem acontecer em um determinado período da vida.

Essa minha visão é meio confusa, eu sei. Gosto de televisão americana, produtos americanos, música americana, filmes americanos. Mas não gosto de americanos. Em compensação não sou muito chegada em música brasileira (há exceções, principalmente das antigas), televisão brasileira para mim se resume em telejornais e o Pânico na TV, filmes brasileiros... só os pops. Mas gosto dos meus brasileiros (meus porque acho que gosto dos brasileiros que conheço, e que gosto...). Tem muito brasileiro que eu não gosto também.


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Coisas da imprensa

Já há alguns meses escolhi a Band News como minha rádio de preferência. Não que eu escute exclusivamente a Band, já que troco de estação em todos os intervalos e a cada meia hora quero ouvir o repórter CBN (além dos “2 minutos pelo mundo” da BBC Brasil).
Gosto mais da Band News primeiro pelo noticiário local - infinitamente melhor que o da concorrente com seu Geraldo Mazza falando abobrinhas sobre tudo. Segundo porque gosto do clima mais leve e descontraído dos locutores e repórteres. Mas acho que existem muitos exageros em algumas situações.
O que é a “coluna” do José Simão na rádio? Ok, ok deve ter muita gente que aprecia este tipo de humor, mas acho irritante ao extremo as gargalhadas (na maioria das vezes forçadas) do Boechat e do Megalli. E ainda tenho ouvir trechos do quadro durante todo o dia... hora de mudar de estação.
Os locutores da hora do almoço também exageram nas gracinhas e piadas. Acho muito boa a liberdade dos apresentadores tecerem seus comentários, é um dos motivos de eu gostar da rádio, mas eles acabam falando muitas bobagens e absurdos – o lado bom é que os ouvintes também não deixam barato e eles vivem fazendo retratação de suas opiniões no ar.
Gosto da agilidade da Band News, conseguida graças à participação enérgica dos ouvintes. Uma situação recente que achei ótima (para mim um exemplo excelente de para quê os meios de comunicação podem ser úteis) foi quando do último aumento do preço da gasolina e os ouvintes ligavam avisando os postos onde o preço ainda era o antigo.

Ainda não sei dizer se gostei da nova Gazeta do Povo. Acho que a tentativa de mudar e melhorar é muito válida. Com relação à aparência, com toda a minha “leiguice” achei que ficou um bagunça. O interior das páginas ficou mais leve, com mais atrativos visuais (info-gráficos, olhos, subtítulos). Mas os “cabeçalhos” dos cadernos não seguem padrão nenhum... não entendi. O site ta mais bonitinho também... e só.
Sobre a nova distribuição do conteúdo (porque o conteúdo em si, achei que não mudou muito), vai precisar um tempo para a adaptação. Somente depois de me adaptar é que vou poder dizer se achei que melhorou ou não. A Gazeta está tentando se aproximar do Estadão, será que é uma boa idéia?

E a conclusão para este post é: ninguém perguntou a minha opinião, mas eu quis dar mesmo assim.

A conclusão número dois é que eu sinto muita falta de estar neste meio das redações, no mercado jornalístico. Mas, se Deus quiser e der tudo certo, não será por mais muito tempo...


 

Post 2 - Nostálgica

Hoje é dia de mudança de casa.
O que significa que ontem a noite eu fiquei remexendo coisas velhas, papéis, lixos, tranqueiras, etc...
Achei muita coisa que me trouxe lembranças boas, cartas carinhosas, fotos e bilhetes de amigos que fazem falta. Mas de todas essas velharias, uma me chamou atenção. Quero usar este espaço público para um pedido de busca de uma pessoa que, infelizmente, não lembro quem é... Bom, esta pessoa me mandou uma cartinha (a qual publicarei abaixo) que me deixou muito curiosa. Eu devia ter uns 14, 15 ou 16 anos na época. Ou seja, já faz uns 8 anos no mínimo. Se um dia você ler isto aqui, por favor se identifique!

Eis a cartinha

"Oi Marcela, puxa vida, apesar de ter me sacaneado aquele dia no seu colégio, pois é (aliás, você vive sacaneando), bom deixa pra lá, hoje eu não vou brigar.

Que o Cara lá de cima lhe envie os dons do Espírito Santo para que você tome juízo, quero que você seja feliz, que você seja mais amigável, simples de coração, você é legal por dentro, eu sei, mas faz esse jeito que dá nos nervos, mas deixa pra lá, o que importa é que desejo toda a felicidade do mundo, do fundo do meu coração, e que um dia sejamos grandes amigos, porque você tem potencial, basta acreditar.

Te adoro (apesar das sacaneadas)

Se precisar de um ombro amigo, lembre-se que eu tenho dois.
Beijinhos

Marcos

Ps- gostaria de estar aí neste momento para te dar um abraço"



Marcos: quem é você???? O que eu fiz para você???

O que me deixou mais intrigada é que eu achei outros bilhetinhos dizendo que eu era brava, que fazia cara de mau, eu pedindo desculpa pelo meu mau humor!!! Quem era essa pessoa? Eu não lembro de ser assim... juro que não.

Então, este é o mistério. Infelizmente não fiquei amiga do tal Marcos, e hoje nem lembro quem ele é... mas queria muito lembrar esta história. Coisas da Vida!


 

Ser vip



Quatro eventos seguidos em que fui (quase) vip. Todos de graça, na fila do gargarejo, com direito a paparicos, brindes e encontrar muitos outros vips.

Assistir a (uma parte de) um show, com mais meia dúzia na platéia, sendo que o povão (hohoho) pagou mais de 300 conto e ainda saiu xingando a organização de tudo o que é nome, de graça: não tem preço.

Jantarzinho com mais de 20 opções chiquetérrimas de pratos, de graça: também não tem preço.

Evento de moda e música, com apresentação de bandas curitibocas boazinhas, humorista famosão, bate-papo com celebridades da moda, performance de corte de cabelo deslumbrante e desfile de lingeri à la Victoria’s Secret com showzinho do Marcelo D2 a menos de meio metro de distância, de graça: não tem preço mesmo.

Coquetel com champagnes Mumm, sambinha, famosos, bem sucedidos e muitos conhecidos das antigas, de graça: não tem preço de jeito nenhum.

Só digo uma coisa: estou me sentindo um nojo! Há.

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Eu amo o Brasil

É verdade. Eu amo mesmo. Meio como os irmãos que não se gostam se amam. Meio que para afastar os google surfers de me malhar só pelo verdadeiro título do post. Mas, no fundo, no fundo, amo.

Mas o Brasil não merecia ser amado. O território onde está o Brasil merecia. As pessoas que nasceram aqui e foram ficando meio por falta de opção mereciam. O que cresce nesta terra merecia. Mas não o país.

O Brasil é do mal. É um país que não se importa com os seus filhos. É um país que suga o que pode dos seus filhos e não devolve o mínimo necessário. É um país que vê seus filhos sofrerem, morrerem, irem embora de revolta, mas não muda uma vírgula de sua própria história.

Se o Brasil fosse um pai ou uma mãe, já teria sido abandonado pelos descendentes. Estes teriam se mudado para a casa de uma tia ou mesmo a rua pareceria mais agradável.

O pai Brasil e os irmãos brasileirinhos têm como suas preferidas as pessoas erradas. Como na parábola do filho pródigo, o pai gosta mesmo é do filho fanfarrão. Do filho que se dá bem. Do filho que não quer, e na verdade nem precisa, trabalhar. Nos dois extremos: aquele que nada tem, mas sabe que vai ganhar do pai; ou aquele que tem de tudo, que nunca vai acabar e que sempre consegue mais.

O filho que se esforça - que faz a sua parte e entrega o que pode (e não pode) para o pai ajudar os irmãos -, esse só toma na cabeça. Ele não pode desfrutar o rendimento do seu trabalho. Se o seu salário permite uma vida melhor, ele se esconde de medo de tirarem o que é dele (e ele sabe que o pai nem se mexe para tentar devolver ao filho que perdeu). Ele paga do bolso pelas coisas que seu pai deveria dar – não por obrigação moral de pai, mas porque ele paga por isso também. Ele ouve o tempo inteiro as malvadezas que seus irmãos fazem, e descobre logo em seguida que o pai não dá nem uma palmada. Mas o dia em que ele sair da linha, ele sabe que o castigo virá a cavalo.

Não estou falando de governo. Não estou querendo dizer que sou uma coitadinha vítima e sem culpa de nada – tenho muita culpa sim. Não estou dizendo que lá fora é tudo de bom – eu sei que não é tudo, mas em alguns lugares chega bem perto. Apenas estou revoltada com a declaração do meu “Imposto sobre salário”. Imposto sobre salário porque eu não tenho renda. Tenho o salário que recebo pelas minhas horas trabalhadas. E se alguém me perguntasse, eu diria que esta não é forma como gostaria de gastá-lo. Nem de longe...

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Les Livres

Estou numa fase absolutamente (e absurdamente) preguiçosa para ler livros. Mas o pior mesmo é que ela já vem durando uns 4 meses.

Não posso dizer que não encontrei coisas boas para ler. Ano passado comecei a ler um best-seller água com açúcar... e não consegui terminar! E agora não sei onde ele foi parar e nunca vou saber o fim do drama do pai que deu a filha deficiente para a enfermera da clínica (sem a mãe saber!!!)... Droga! (se eu realmente quiser saber o final, eu tenho como. Mas um dia ainda quero terminar essa desgraça).

Se com o best-seller não funcionou (para sair da fase preguiça) peguei um livro bom. Mais um do Saramago. História boa, livro curto. Mas... tá-dah! Já faz 3 (três!!!) meses que estou lendo e não consigo terminar... Leio um pouquinho no café da amanhã. A noite não consigo mais (deito na frente da TV e capoto em 10 minutos). Antes tinha um tempinho livre no trabalho. Agora... impossível.

Fico angustiada com esta situação. Quero terminar o livro atual porque estou muito curiosa com o final. E tem tanto livro na fila... Bons bons e bons pops.

O que fazer? Alguém aí tem uma receita para sair desta fase?

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Má notícia

Receber uma má notícia é terrível. Se é dos outros e você está perto, uma palavra de consolo ou um simples abraço. Se a pessoa está longe, um telefonema para dizer “estou aqui para você” pode fazer a diferença.

Mas se a má notícia é sua. Se diz respeito a você mesmo. Se é você quem deve contar às pessoas. Não temos preparação para esta situação. Você não quer ouvir as palavras de consolo (aquelas que você dá quando a notícia é dos outros). Essas palavras parecem vazias.

Se a notícia ruim é de algo que não lhe afeta muito agora, mas que irá mudar a sua vida num momento crucial, aquele momento para o qual você faz planos desde criança. Como lidar com isso? O que fazer com esta informação que você não queria saber tão cedo, mas que é melhor saber agora do que quando for tarde demais? O que dizer para a outra pessoa que também terá a vida afetada por esta informação? “Saia antes que seja tarde”? E se não existir forças para dizer isto?

E se você passar a ver coisas antes tão naturais com outros olhos? E se a notícia boa dos outros passar a ser motivo de lembrança ruim para você? E se a vida ficar um pouquinho mais triste ou, no mínimo, complicada depois daquele resultado?

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Sobre viajar e outras coisas...

Eu acho que uma das melhores coisas desta vida é viajar.

Viagem boa é aquela planejada. Para um lugar novo ou para algum lugar que eu gostei muito de ter ido. Ficar em hotel. Tomar o café da manhã de hotel Fazer passeios diferentes. Falar uma outra língua, quem sabe. Ver museus. Assistir a musicais. Tirar fotos nos pontos turísticos. Comer a especialidade da região. Fazer compras de itens locais. Ver neve. Entrar no mar azul ou verde claro. Caminhar nas dunas. Andar de barco. Ficar olhando o mapa da cidade de noite. Comprar um guia novo. Andar de avião. Arrumar a mala. Ligar para os que ficaram e contar sobre o lugar. Revelar as melhores fotos. Montar um álbum com as legendas. Ver este álbum 1 milhão de vezes. Colocar algumas fotos novas no orkut...

Tem outro tipo de viagem que é boa. A viagem em turma. Fazer bagunça. Ir dormir tarde. Comer juntos. Tirar fotos juntos, com um e com outro. Se reunir depois para compartilhar estas fotos. Planejar a próxima viagem juntos...

Outra viagem gostosa é a tipo família. Ir para a praia, para a casa da vó ou da irmã que morava longe. Entrar na vida dessas pessoas. Fazer compras em outra cidade. Trazer uma coisa nova para casa.

Não suportaria ter que viver viajando. Ao mesmo tempo que gosto tanto de viagens, sou muito caseira. Sempre adoro a volta para casa. E viagem frequente a trabalho deve ser um saco. Meu pai e irmã que o digam.

Eu gosto tanto de viagens que me empolgo até com as viagens dos outros. Se alguém me fala que vai viajar, eu procuro na internet sobre o lugar, se é uma pessoa próxima, tento ajudar no itinerário. Fico ansiosa para ver as fotos. Fico até indignada se não vejo as fotos. Se peço uma encomenda ou a pessoa diz que vai trazer um presentinho, não sossego enquanto não vejo. Gosto de ver o que as pessoas trouxeram para elas mesmas. Fico perguntando histórias. Se gostou de tal lugar, de tal coisa, se foi em tal passeio. Não gosto quando ouço alguém dizer que foi para algum lugar legal e não tenho muita intimidade para fazer o questionário. Adoro xeretar o orkut dos outros quando tem fotos de viagens. Não gosto quando a pessoa não diz onde é.

Se Deus quiser vou conseguir viajar muito na minha vida. Talvez não com a frequência que gostaria. Provavelmente não com direito a tudo que gostaria (comer em restaurantes, ficar em hotel 4 estrelas, fazer todos os passeios). O jeito é se deliciar com a viagem dos outros. E planejar as viagens imaginárias muitas e muitas vezes, até que se tornem realidade...

eu em algum lugar do mundo


 

Tem que ter habilidade

Carnaval bom.

Por alguns momentos de bundice, quase que eu perco um dos melhores carnavais da minha vida... Galera gente boa, comida boa, tempo bom, bagunça boa. Almoços às 8 da noite, torrão no sol da 1 da tarde, 1 hora de balada. Casa para 6 com até 15 pessoas dentro. A grande campeã do poker da praia (engulam isso)...

Resolvi escrever este post não para falar do meu carnaval, afinal de contas isto aqui não é um diário. Quero contar sobre o “créu” e sobre como eu queimei a língua. Todo mundo sabe que cada ano tem um hit de carnaval. Quando eu soube qual era o hit deste ano, quase me enforquei. Foi em uma reportagem do fantástico (blergh) que fiquei conhecendo o créu... Pensei: “oh meu Deus! Para onde este mundo vai... como estes pais desnaturados deixam suas crianças sequer ouvir estas porcarias, quanto mais dançar, tsic, tsic”.

Créu é um funk. Um funk chato (vejam que grande obra-prima da poesia no leia mais). A dança é chata. Repetitiva (eu gosto é de desafios coreográficos). A primeira vez que ouvi a música pós fantástico coloquei a mão na testa e pensei: “não acredito que isto esteja acontecendo”. Na terceira dei risada de um amigo que dançava engraçado. Na quarta pedi para este amigo dançar de novo. Na quinta dancei junto com o amigo. Na sexta todo mundo fez rodinha para dançar junto. Na sétima, oitava em diante... era eu mesma cantando o créu. Vergonha, vergonha... agora passou o carnaval e tudo que restou foi a vergonha do créu.

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Próximo capítulo: “Quando ela me vê, ela mexe. Piri, pipiri, pipiri, piri piriguete...”
Agora, dá licença que eu preciso baixar o MP3 do Créu para colocar no meu IPOD...

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Lição do dia

Sempre procurar mais informações sobre o filme que pretende assistir. Ver pelo menos o trailer se não conhecer a história e não ir somente pela opinião dos outros. Tentar descobrir, ao menos, se o filme tem ou não zumbis...
Caso aconteça novamente, aprender a simplesmente fechar os olhos e não se contorcer inteira e depois ficar com dor nas costas.
Se a curiosidade for muito grande, deixar para ver o filme com zumbis à tarde, seguido de uma comédia romântica ou um desenho animado...


 
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